DIVINO ESPÍRITO SANTO DE DEUS!

Divino Espírito Santo de Deus, que derrama sobre todas as pessoas as graças de que merecemos, hoje e sempre nos acompanha nas trajetórias de nossas vida. Amém.

sexta-feira, 22 de março de 2013

TARDE FRIA (Memórias de Baturité)


Gracinda Calado

A tarde ia caindo, e o dia despedia-se da terra!

Um vento frio prenunciava uma noite fresca nos rincões da serra e a serração estendia-se por sobre os montes verdes, floridos, e chegava ao sopé da cordilheira.
Na cidade as luzes eram acesas anunciando que a noite chegara cedo.
Nas praças e jardins as pessoas se encontravam, passeavam pra lá e pra cá!
Muitas vezes era necessário um bom agasalho para amenizar o frio. Algumas gostavam daquela temperatura amena que preparava a todos para um sono tranqüilo. Aos poucos a rua ia ficando mais calma, não se ouvia grandes ruídos.
Nas caladas da noite, às vezes, só ouvíamos os latidos dos cães ou o pio das corujas agasalhando seus filhotes.
Nas ruas cheias de sombras dos benjamins que enfeitavam a cidade, passávamos em paz, enquanto o vento urgia nas folhagens verdes das árvores trazendo de longe o perfume das flores do campo e dos jasmins.
A noite era clara, mas o frio em nossa pele convidava-nos ao aconchego das cobertas. As luzes das casas já se apagavam lentamente, e dentro de alguns lares sentia-se o cheiro do café que era tomado para esquentar o frio.
Tudo isso nos lembra nossa terra, quando éramos pequenos e sentíamos a cor e o perfume da natureza que se derramava toda para nos beneficiar com sua beleza! Nos jardins as flores orvalhadas desabrochavam exibindo sua magia natural. Os bichinhos e as borboletas iam ao encontro da luz e fugiam do escuro para beijar outras flores...
Felizes somos nós que sorvemos desses sabores naturais e sabemos o que é bom e verdadeiro em nossas vidas.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A RUA, A PRAÇA, O JARDIM


Gracinda Calado

Passo na rua da minha cidade,
Meus pés caminham encharcados pelo orvalho da noite passada...
Atravesso a praça dos amores, que outrora eu vinha
Declarar minha paixão e meu amor.
Ainda ouço a música que toca verdadeira, igual àquela que
Em outras ocasiões tocava!.
A grama molhada deu-me a impressão
Que as lágrimas da noite foram derramadas na madrugada.
Um raio de sol surge alimentando a alma da gente.
Uma flor se abre no jardim da praça, tão alva como algodão.
As pessoas passam como sem dar atenção,
Que ali uma história aconteceu outrora com alguém.
Tento sorrir, tento chorar com minhas lembranças,
Em vão soluço o pranto que já se foi...
Minha alma chora calada resistente, acalantada,
Ao ouvir plangentes violões na rua da esperança.
Um toque, um sinal, no sino da igreja diz:
É hora de rezar, orar ao Menino-Jesus.
Não sei onde ficaram as lembranças
De um passado bom e muito feliz,
Onde se escondem as recordações e saudades,
Da linda história de amor que um dia acabou,
Sem nenhum sinal, sem despedida, nem beijos,
Sem uma palavra, sem emoção, sem desejos.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

AS MÃOS DE MINHA MÃE


Gracinda Calado

Tuas mãos enrugadas pelo tempo,

Pelo trabalho e pelo zelo de servir.

Tuas mãos mimosas, perfumadas,

Abraçam meu corpo em contratempo,

Erguem-me ao mais alto pedestal de amor.

Mãos que agradam e batem palmas,

Mãos que acariciam docemente o filho,

Mãos que viveram e conviveram

Mãos que sustentam e abençoam,
Mãos que batizam e purificam.

Tuas mãos tão delicadas, carinhosas,

Tuas mãos por onde corre o sangue vivo

Tuas mãos tão delicadas e perfumosas

Tuas mãos que seguram meu destino,

Mãos de mãe e de mulher maravilhosa!

Mãos que embalam nossos corações,

Mãos que adormecem e tecem carinho,

Seguram o tempo e o berço do filhinho,

Enlaçam o abraço do pobre velhinho;

Mãos que sempre rezam orações!

Mãos, tuas mãos! São minhas mãos!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

QUARTA FEIRA DE CINZAS...

QUARTA FEIRA DE CINZAS...


(Gracinda Calado)

E lá ficou meu coração
Nos salões da minha vida!
Lá ficou meu olhar de jovem
Intenso, bonito, juvenil.

O cheiro de lança perfume no ar,
Os salões cheios de serpentinas,
Confetes, lantejoulas, purpurinas,
Um coração feliz na noite de carnaval.

A madrugada chega de mansinho
E os apaixonados bem juntinhos,
Abraçam-se cheios de mistérios;
A noite leva com ela toda a alegria...

O folião sonhando acorda na rua,
Não vê que a noite se foi e o sol saiu.
A quarta-feira malvada,ingrata,
Arrasa corações, arrasta solidões.

Quarta que chega recolhendo restos
De nós dois, de foliões, de ilusões...
Quarta das saudades e dos cacos,
Dos sonhos das manhãs de fevereiro.

Na rua alguém chora a noite que sumiu
Ligeira, quente abrasadora, mágica,
Sensual, fagueira; chora o amor que partiu,
E agora até outro carnaval, adeus!

Saudades dos velhos carnavais,
Das madrugadas fagueiras nos salões,
Dos amores clandestinos e dos foliões!





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

RELIGIOSIDADE: COISAS DA MINHA TERRA


Gracinda Calado.

Quem me dera estar sempre aos pés do altar de Deus!
Minha igreja da Palma, minha verdadeira identidade.
Lá senti o sal na pia batismal aos oito dias de nascida.
Lá fiz minha primeira comunhão, senti o amor de Deus na hóstia santa.
Lá jurei fidelidade ao homem que eu amava.
Lá batizei meus quatro filhos, minhas jóias preferidas.
Igreja matriz de minha terra querida!
Monumento secular de inspiração, sacrário de minhas orações!
Nela guardo os melhores momentos de minha vida, quando das missas de nove horas ou das festas da padroeira, das quermesses animadas e participadas por todos os seus filhos.
O som do seu sino é diferente dos demais...
É o som dos anjos, do chamado de Deus e de N. Senhora da Palma para as orações.
Igreja de Santa Luzia, padroeira da visão, protetora dos que não podem ver.
Cravada no coração de minha cidade, deixa saudades de suas festas em pleno mês de Dezembro. As olas gigantes, os barquinhos, a ola de cadeirinhas, os jogos, as pescarias em noites de novenas animadas onde brincávamos sem medo.
Igreja de N. Senhora Auxiliadora, arquitetura moderna, cuja estátua foi trazida nos anos sessenta da Itália, uma perfeição de escultura.
Pertence às irmãs salesianas que a zelam com carinho.
Igreja de Santo Antonio no alto do Putiú, onde a devoção ao santo é de quase cem anos naquele lugar.
Igreja de N. Senhora do Rosário, no bairro das Lages, freqüentada por muito dos que veneram essa devoção a nossa Senhora.
Na cidade existem algumas capelas, como do hospital, da maternidade, nos povoados vizinhos e a grande Igreja do colégio Jesuítas, hoje Casa de Repouso, no alto da serra na fazenda ‘Olho d água’. Sua arquitetura é uma atração turística da cidade; Cristo Rei é seu patrono.
Baturité se orgulha de seu passado de glórias e de grande religiosidade.
O maior de todos os legados religiosos e espirituais são os padres e as freiras que não se cansam de zelar também pela educação dos jovens e crianças da cidade.
São dedicados educadores e evangelizadores nessa terra abençoada por nossa Senhora de Fátima cuja imagem cravada no alto da serra abençoa a todos os seus filhos.Foi um presente de um grande personagem da história de Baturité, o comendador Ananias Arruda.
Esse homem tudo fazia pelos padres e pelas freiras e pela catequese e evangelização. Uma boa parte de seu patrimônio foi doada aos que chegavam em Baturité com o objetivo de Educar e Evangelizar.
De Baturité saíram muitos padres e freiras, filhos da terra, que hoje estão espalhados por todo território brasileiro.
Parabéns Baturité!



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

À margem do rio. (lembranças de Baturité)


Gracinda Calado

O rio passava ao lado de nossa casa. Ele já fazia parte de nossa vida. Ao acordar ouvíamos o barulho que vinha de lá e o seu gemido era de dor e desespero. A violência das águas nas pedras jogava-as nas alturas, como se fossem subir ao céu.
Quando a chuva chegava, o volume das águas aumentava e ia destruindo tudo pela frente. Muitos animais eram arrastados pelas correntezas, pessoas se acidentavam caindo nas pedras, e em outras situações houve casos de mortes.
Apesar de tudo o espetáculo era majestoso! Quem não gostava de apreciar a natureza fazendo festa a qualquer hora manifestando sua força e coragem! Crianças afoitas se jogavam nas águas barrentas do rio, e desesperadas se agarravam a qualquer coisa para não morrerem.O pontilhão da estrada, que passava sobre o rio, ficava coberto de árvores e galhos, pedaços de madeiras que desciam das encostas das nascentes, vindos da serra, e outros que se amontoavam em diversos lugares do rio enrolados em cipós, arames, bambus, tragicamente davam proteção aos ‘corajosos’.
Havia épocas em que desfrutávamos dos banhos como praias de areias brancas, e os frutos maduros caiam do pé dentro do rio e nós nadávamos até eles para disputar “quem primeira chegar ganha a fruta madura”. Todos se interessavam para saborear os cajus vermelhos caídos do pé. Sem falar nas manguitas amarelas, cheirosas e doces, das árvores plantadas às margens do rio das Lages.
Na época de águas baixas, a pesca do camarão animava as crianças para a pescaria, depois os coitados eram assados e comidos no mesmo lugar do abate. Tempo bom aquele, em que tudo se fazia na natureza e não destruíamos seus valores, pois tudo era observado pelos nossos pais.
No tempo de férias convidávamos os colegas para as brincadeiras no sitio, os banhos de rio, a caça aos passarinhos, e a gostosa pescaria de camarões.
Quantos sonhos passaram por nós, quantas gargalhadas, quantas brincadeiras, quantas alegrias encheram de emoções nossas vidas!

domingo, 27 de janeiro de 2013

DIÁRIO DA NATUREZA


Gracinda Calado

Todos os dias a mesma coisa.

O sol torna a brilhar e envolver a natureza com sua luz e seu calor! O céu prateado de estrelas nas noites enluaradas, continua inspirando aos poetas amantes da natureza cálida o romantismo de seus versos!

Nas janelas abertas o vento sopra enchendo de vida o coração dos homens, debaixo de sua sombra imperceptível.

A natureza em festa anima-se com a música dos pássaros e o amor de Deus aos poucos vai chegando no coração dos homens. Em tudo existe Deus: na flor que se abre ao vento, nas águas cristalinas do riacho, na grandeza do sol, na força dos homens que correm em busca de seus trabalhos, na ingenuidade das crianças, no perfume das flores e na incondicional vontade de viver.

Como resistir ao encanto da chuva caindo em gotas mágicas e molhando tudo sobre a terra, alimentando as plantas e encharcando o solo para animar a vida e o planeta!

Ah! O Planeta terra! Maravilhosa criação da natureza e testemunha impar da criação de Deus! Nossa morada castigada e conduzida ao caos pela seca que assola o tempo, a terra árida, o chão vazio e a falta de chuvas do Nordeste brasileiro!

As adversidades do globo trazem reflexão a todos os que do planeta se esquecem, maltratam e abandonam. Os animais vítimas da fome que assola a terra e seca os rios e açudes da região!

Quem dera hoje nesse dia se ouvisse o ronco dos trovões, a luz dos relâmpagos e o cheiro de terra molhada, enquanto os rios corressem em desatino em busca do mar e alimentasse e matasse a sede dos homens trabalhadores e dos animais que ainda restam cambaleando para a morte! O destino de tudo se espalharia na amplidão do cosmos em festa e a alegria encheria a alma dos que sofrem no dia a dia, e aconteceria a virada natural da natureza! CHUVA!!