DIVINO ESPÍRITO SANTO DE DEUS!

Divino Espírito Santo de Deus, que derrama sobre todas as pessoas as graças de que merecemos, hoje e sempre nos acompanha nas trajetórias de nossas vida. Amém.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CARNAVAIS DAS SAUDADES EM BATURITÉ


GRACINDA CALADO

QUANDO TOCAM OS CLARINS, NOSSO CORPO EXTREMECE,

AS CANÇÕES SOBEM NOS ARES COMO PRECES DE SEMIDEUSES

APAIXONADOS, ENCANTADOS PELOS SONS QUE TOCAM CORAÇÕES,

OU SAEM DOS GRITOS ESTONTEANTES DOS FOLIÕES.

ENTRAM NO PASSO E NO COMPASSO DA MULTIDÃO,

OS ENAMORADOS DA MÚSICA QUE ENLOQUECE E APAIXONA;

O PIERRÔ E A COLOMBINA SURGEM E DESFILAM NO SALÃO,

AO SOM DA MARCHA CADENCIADA, DO FREVO E DA AGITAÇÃO.

O PEITO EM BRASA E O SANGUE EM PLENA EFERVESCENCIA,

CORRE ACELERADO NAS VEIAS, COMO RIOS CAUDALOSOS,

AGITANDO O CORPO INTEIRO EM MÁGICA EBOLIÇÃO,

ESPERANDO QUE A NOITE SE TRANSFORME EM SONHO E EMOÇÃO!

O PIERRÔ PROCURA A COLOMBINA, NO MEIO DA MULTIDÃO,

AGITANDO SEU MANTO DE SETIM COM PURPURINAS, PAETÊS,

E ORGANDYS, FAZENDO INVEJA AO ARLEQUIM SOLITÁRIO QUE

GRITA E CANTA A MELODIA DO BLOCO DA SOLIDÃO.

CARNAVAIS DAS SAUDADES, DOS TEMPOS DA MOCIDADE,

LEVAM LEMBRANÇAS ETERNAS DOS PALHAÇOS E DOS BONECOS,

DOS SACIS E DOS CURUPIRAS QUE VIVEM NAS GRANDES MATAS,

RENASCE A CADA ANO A MEMÓRIA DE NOSSA LINDA CIDADE.

SAUDADES DOS BLOCOS DOS SUJOS NAS RUAS E NAS PRAÇAS;

CARNAVAIS DOS AMORES, DAS PAIXÕES ACELERADAS,

DA QUARTA- FEIRA DE CINZAS, NAS RUAS E MADRUGADAS,

ARRASTANDO FANTASIAS DOS TRÊS DIAS DE FOLIAS.

CARNAVAIS DAS SAUDADES DOS AMORES QUE SE FORAM,

DAS LANTEJOULAS E SERPENTINAS, DOS LAQUÊS, DOS BORDADOS,

DAS MÁSCARAS E DAS COLOMBINAS, COM SEUS VESTIDOS DOURADOS,

DEIXAM SAUDADES ETERNAS DOS CARNAVAIS DO PASSADO!







segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O MEU PASSADO ESTÁ NO MEU PRESENTE


Gracinda Calado

O meu passado vive sempre no meu presente.
Nas manhãs, quando o sol derramava sua luz, cor de ouro, como fazia nos jardins floridos de minha terra, eu me iluminava com o brilho de seus raios!
A água cristalina dos rios descia banhando as cordilheiras verdejantes das encostas da serra cobertas de flores silvestres, deixavam um perfume de mato verde sobre as colinas.
Nos arvoredos os pássaros coloridos e cantadores, saltavam de galho em galho, numa alegria louca à procura de seus filhotes.
Às margens das estradas, numerosas barracas deixavam à amostra variedades de frutas para vender aos que ali passavam.
O sabor e o cheiro do mel que escorria pelos cantos da boca, verdadeiro alimento dos deuses, oferecido pelas abelhas, adoçavam a nossa vida de criança.
Nos quatro cantos da serra de Baturité, o silencio chegava devagarzinho preanunciando o vento que passava rasteiro e logo o dia ia morrendo entre as árvores mais antigas e entre os bambuzais que se entrelaçavam pela força dos ventos da noite.
O cheiro de saudade anunciava a energia daquele lugar onde voltamos para ver e onde passamos horas de quietude e solidão, olhando tudo e sentindo tudo como antigamente...
As lembranças de minha terra encheram meus olhos de lágrimas e meu coração de saudades, uma sensação boa das lembranças do passado, como se o presente houvesse roubado a cena.
Chegou à hora de partir, mas levarei para o meu presente e meu futuro o meu passado fantasiado de vida e de emoções!



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

MEMÓRIAS DA MINHA TERRA

Gracinda Calado

Que prazer em ler e reler o livro: “O CEARÁ SEMPRE ESCUTARÁ”, do conterrâneo Dr. Almir Gomes Castro, quando ele fala das coisas engraçadas dos anos sessenta em Baturité.

Lembro-me bem do cine Odeon que ficava em uma pequena travessa e gozava de maior movimento da cidade. Ri ao lembrar-me dos filmes antigos, dos clássicos do cinema que ficávamos até quase meia noite esperando que o Sr Rubéns consertasse a fita por várias vezes a fim de concluir o enredo do filme.

Certa vez pedi ao nosso pai, eu e minha irmã Tarcilia, pai severo e disciplinado com a rigidez de quartel, para irmos ao cinema, pois não queríamos perder aquele filme que era comentado na cidade como ‘um espetáculo’; ele, papai marcou a hora para nossa chegada, 10horas. O filme quebrou a fita tantas vezes que quando olhamos para o relógio era precisamente meia noite!

Para nossa surpresa, com as sandálias nas mãos e não nos pés, entramos devagarzinho para não fazer barulho, papai pigarreou e disse: “isto é hora de chegar de um filme?” Quase caí para trás. Minha irmã tremia como vara verde. Papai nos chamou atenção dizendo : “Amanhã conversaremos a respeito desse filme”.

Dia seguinte ficamos mais um pouco na cama, vestimos várias anáguas que era uso da moda, para que, se ele ousasse usar o cinturão já estávamos prevenidas.

Nossas pernas tremiam e falamos com papai para pedir-lhe a bênção durante o café da manhã.

Ele olhava para mim dizendo :”O que houve no cinema”? Criei coragem e disse “a fita quebrou-se 10 vezes. Ele parecia não acreditar, continuei a contar alguma coisa como o enredo do filme, o nome dos artistas, as pessoas que estavam na plateia etc.

Minha irmã não abria a boca e papai insistia: E você o que diz disso? Ela tremendo respondeu: ”Didi já disse tudo”. Finalmente ele recomendou que se na próxima vez a fita quebrasse, devíamos sair e vir embora, caso contrario não deixaria mais a gente ir para um pulgueiro onde tinha o nome de cine Odeon.

Escapamos e depois de tudo só risos e risos...

Obrigada pelo presente desse livro, meu amigo e primo João Mascarenhas da Rocha!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

NO CORAÇÃO DO MACIÇO DE BATURITÉ


GRACINDA CALADO

Subindo a serra de Baturité rumo a Guaramiranga o clima vai amenizando o calor e uma brisa gostosa nos envolve fazendo-nos sentir o abraço carinhoso da natureza.
Enquanto caminhamos em caracóis pelos caminhos, a vista deslumbrante da serra em cordilheiras nos presenteia com um belíssimo espetáculo.
Árvores gigantescas seculares que envolvem seus galhos em outras árvores como abraço, árvores que derramam seus ramos como chorões caídos fazendo cortinas verdes, árvores que se enfeitam de flores roxas e amarelas como os ypês, árvores que se diferenciam das outras árvores como os bambus que se fecham em moitas grins.
Descendo as ladeiras avistamos o cafezal em flor parece um tapete vermelho coberto de frutinhas e cerração em tempo de inverno.
Na serra temos a impressão que estamos pertinho do céu, até podemos sentir o cheiro de Deus nas gotas de orvalho da noite passada nas manhãs frias.
Descendo os grotões rumo aos sítios e fazendas, avistamos maravilhosos canaviais que serpenteiam as margens dos rios que descem refrescando ainda mais a região. Mais à frente o bananeiral exuberante se apresenta encantando mais ainda nossos olhos.
Nas estradas de terra batida e nos atalhos de caminhos encontramos comboios de vendedores de frutas que vão à feira de Baturité vender ou trocar seus produtos. Pés descalços, roupas cobertas de nódoas dos pomares encharcados de leite que escorre das frutas fazendo manchar suas roupas e eles nem se dão conta de tudo isso.
A casa da fazenda ou do sitio está lá! Lugar privilegiado por Deus e pela a natureza! No coração da serra, testemunha de tanta beleza e de tanta felicidade gratuita.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ANO NOVO!


Gracinda Calado

Exuberante a natureza explode em versos!
Enche-se de energia o mundo!
O ar explode em luz e sons!

Nasce o Ano Novo !
Em meio às emoções, renasce a fé nos corações!
Malabarismos de cores, furta-cores no céu de nossa pátria!

Fogos coloridos enchem o ar e os corações de amores!
Contraste no céu e no mar.
O verde, o azul, e o luar completam a festa num cantar.
Estouro de fogos e de luzes, magia na natureza.
Prenúncios, adivinhações, mistérios...
Nasce um novo ano, radiante e forte!
O ar se contamina de energia,
E experimenta esse momento de prazer!
As pessoas caminham para um lado e outro,
Juntas nesta hora de paz e de emoção!
Desejam bons augúrios, se beijam, se abraçam!
Bons desejos, bons presságios, bons ensejos.
A música explode no ar em sons e versos.
Lágrimas escorrem em nossas faces de tanta alegria!
Saudades invadem alguns corações solitários,
Lembranças de alguém que já partiu.
Todos rezam uma oração, uns agradecem,
Outros fazem um pedido, outros não dizem nada,
Ficam calados, quietos e mais um ano termina!
Outro ANO começa, renasce a vida, os amores, os projetos,
Tudo é mistério para o ano que vem!



domingo, 23 de dezembro de 2012

SENHORA DO SILENCIO


INÁCIO LARRAÑAGA

Mãe do Silencio e da Humildade, tu vives perdida e encontrada no mar sem fundo do mistério do Senhor. Estás dentro de Deus e Deus dentro de ti. O mistério total te envolve e te penetra, e te possui, ocupa e integra todo o teu ser.
Jamais se viu figura humana de tamanha doçura, nem se voltará a ver nessa terra uma mulher tão inefavelmente evocadora.
Teu silencio não é ausência, mas presença. Estás abismada no Senhor e ao mesmo tempo atenta aos irmãos, como em Caná.
Faz-nos compreender que o silencio não é desinteresse pelos irmãos, mas fonte de energia e de irradiação, não é encolhimento, mas projeção. Faz-nos compreender que, para derramar, é preciso preencher-se.
Envolve-nos no teu manto de silencio e comunica-nos a fortaleza de tua fé, a altura de tua esperança e a profundidade de teu amor.
Fica com os que ficam e vem com os que partem.
Ó Mãe Admirável do Silencio!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PRESÉPIO DE NATAL

MEU PRESÉPIO DE NATAL (Natal de 2013)


Gracinda Calado

Quando Jesus nasceu, José e Maria não se continham de alegria!
Somente eles, seus pais sabiam a que ele vinha.
Não puderam preparar-lhe um bercinho digno de um rei. Uma noite tive um sonho preparando-lhe um humilde presépio.
A manjedoura, enfeitei-a com os laços fortes da amizade.
Ao seu redor muitas flores de paixão e rosas que saiam do coração!
Forrei a caminha de palha com cetim azul anil, da cor do manto de Maria.
E nos quatro cantos por onde os reis magos iriam passar para chegar até Jesus e lhe adorar, coloquei palmas verdes de esperança para que o mundo fosse melhor, e as pessoas não deixassem de se amar!
Perfumei todo o lugar com essências de jasmins, orquídeas, muitas rosas brancas e vermelhas, as cores da caridade, da justiça e do amor; incensos perfumados de alecrim, alfazemas, como o amor de Maria e de José.
Fiz um lindo tapete de pétalas vermelhas, da cor do sangue de Jesus, que mais tarde derramaria na cruz!
São José, Nossa Senhora, lado a lados do presépio esperavam a criancinha que logo choraria, e anunciaria ao mundo inteiro o Evangelho verdadeiro!
Uma luz, igual a uma estrela branca reluzente, transparente, coloquei bem em cima da gruta iluminando a todos os que esperavam Jesus!
À meia noite ou noite e meia, o menino chorou na manjedoura; a noite estava fria, mas estava toda enfeitada e iluminada! Nessa hora os anjos que fiz de papel, criaram vida e cantaram para o nosso Salvador: Jesus, o Filho querido de Deus!
Todos os homens O veneraram, o mundo inteiro se ajoelhou ao seu redor, pois agora na manjedoura, o Divino Menino nasceu!
Aos poucos tudo se transformou, e o sonho não acabou!
O Filho que Deus nos deu de corpo e alma como nós, é nosso irmão, tem o mesmo pulsar dos nossos corações! Ele veio trazer o amor e a nossa salvação!
Vamos adorá-lo, reverenciá-lo, vamos ao encontro daquele que nos espera sorrindo na noite de Natal, vamos cantar o glória a Deus nas alturas e paz aos homens de boa vontade. Aleluia, aleluia, aleluia!