DIVINO ESPÍRITO SANTO DE DEUS!

Divino Espírito Santo de Deus, que derrama sobre todas as pessoas as graças de que merecemos, hoje e sempre nos acompanha nas trajetórias de nossas vida. Amém.

quarta-feira, 7 de março de 2012

SEGUINDO A TRILHA

GRACINDA CALADO

No começo tudo é maravilhoso!

Os primeiros passos seguem livres e sem dificuldades.
A trilha começa entre os cipós e a mata dá sinais de mistérios.
Os passos rápidos sobem com desenvoltura os caminhos íngremes,enquanto o grupo passa na frente visualizando outros caminhos.
Na frente alguém grita, descobrindo uma clareira. Rastros de animais afloram o nosso medo de caminhar e enfrentar porventura algum perigo.
Seguimos em frente.
Respiramos forte, enquanto o corpo pede água.
Na clareira aproveitamos para refazer as forças e respirar o ar puro da floresta!
Nossos passos são mais fortes no intuito de chegar primeiro.
Os que ficam para trás começam a sentir o que ainda poderá acontecer nessa escalada louca...
O caminho agora segue e divide-se em duas trilhas: a do bem e a do mal.
Como escolher a trilha verdadeira? Vejamos os sinais: Mata fechado, difícil acesso, enquanto os cipós vão complicando nossa passagem pela trilha escolhida. Galhos de árvores caídos pelo chão, dão a impressão de abandono. Ficou mais difícil agora! O que fazer? Passar por cima da grande árvore caída ou contorná-la, enfrentando novos desafios...
Alguém senta num canto e pensa. “Vamos cortar a árvore”. Outros não concordam.
Cortar a árvore, contornar a árvore, passar por cima da árvore caída, ou seguir outro caminho e não passar pela árvore?
Enfim escolhemos contorná-la.
Lá na frente, novas árvores estão caídas, depois de uma noite de tempestade demorada. Novos riscos , novos caminhos ...
O que agora pesa são as necessidades corporais, as dores musculares, a fome, o frio, os arranhões , os dissabores e o arrependimento dessa aventura.
Agora são as pedras e os espinhos!
O que fazer com eles?
Queimemos os espinhos e livraremos o caminho...
Rolemos as pedras e o caminho estará livre!
Será que ainda temos fôlego?
Começamos a nos ajudar segurando uns nos braços dos outros, sentimos desgaste físico.
Enquanto andamos calados avistamos coisas lindas, maravilhosas!
Plantas tropicais, flores que se misturam aos espinhos, milhares de borboletas multicores, mil passarinhos fazem festa pra nós, enquanto a água do riacho canta uma canção e vai levando sua sorte para o mar.
Do alto, despenca a cachoeira com sua força brutal, enquanto ficamos ali parados esperando uma solução para as nossas decisões: parar no caminho, seguir em frente, voltar para a cidade, enfrentar novas aventuras, ou desistir?
Qualquer decisão tomada , é nossa a responsabilidade de tomá-la.
Na nossa vida enfrentamos muitas trilhas, muitos caminhos tortuosos, perigosos.
Muitas dificuldades aparecem de repente, e o que fazer, seguir o caminho , ficar para trás , enfrentar as dificuldades ou desistir?
É necessário que sejamos fortes, que saibamos escolher o caminho certo a seguir.





quinta-feira, 1 de março de 2012

A CSA DA MINHA INFANCIA

A CASA DA MINHA INFANCIA


Gracinda Calado

Olhando o seu retrato, volto a pensar os dias felizes que junto a ela passei. Seus arvoredos me falavam de natureza madura, pura , singela, que falava aos passarinhos, e se entregava toda inteira aos pardais. Vejo seu telhado antigo, desbotado do tempo e dos ventos, inspiravam tranqüilidade e segurança.


Pela manhã no jardim, rosas se abriam como sorrisos de alegria, enquanto os beija-flores ansiosos chegavam para sugar o mel em competição com as abelhas. A força do colibri parado no ar me causava admiração, e as abelhas zumbindo em forma de círculos me deixavam tonta.


Quando olho sua fachada antiga, lembro-me dos casarões da minha cidade, e as ruas enfeitadas de benjamins, suas avenidas ajardinadas e as ladeiras que não me cansava de subir e descer, ora para ir ao colégio, ora para ir à Igreja, ou passear na cidade!


Os jacarés que derramavam água como animais de bocas abertas, encravados na fachada da frente, eram divertimentos nos dias de chuva, onde a criançada disputava um lugar debaixo de cada boca de jacaré para sentir o gosto da chuva caindo em suas cabeças.


Parece que estou ouvindo as palavras de minha mãe chamando para trocar de roupa, ou escovar os dentes, fazer os deveres de casa, sentar à mesa que já era hora de almoço ou jantar. Meu pai gostava de cortar canas e descascá-las para nós, parecia uma festa, ainda ouço o ranger dos dentes de cada um sugando o mel da garapa da caiana.


Na sobremesa era indispensável as frutas do sitio: cajaranas, mangas, bananas, sapotis, atas e muitas outras de época.Felizmente soubemos aproveitar todas as qualidades de vida que a natureza nos presenteou em nossa convivência naquela chácara.


Falei das flores e dos frutos, não podia deixar de falar dos caramanchões que cercavam as laterais da nossa casa. Brincávamos debaixo deles como se fosse o nosso paraíso! Tinha acácias vermelhas, trepadeiras amarelas e florzinhas lilases que não me lembro o nome.


Casa velha, que ainda recordo o meu sono na rede, armada no alpendre do lado. Nela sonhei com pardais, com coqueirais, com o mar, com as praias lindas do meu Ceará e hoje estou aqui vendo o mar e com vontade de voltar para a minha casa antiga na minha linda cidade de Baturité!


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MISTÉRIOS AO LUAR

GRACINDA CALADO

Quando a noite chegava, ao longe a lua sem pretensão, deixava o céu iluminado, enquanto dezenas de estrelas passeavam no infinito céu.
O perfume das flores se espalhava no ar e o jardim todo se enfeitava de cores saboreando o som do vento que chegava devagarzinho acariciando as pétalas das flores.
Naquele banco da praça, ficávamos calados apreciando o luar e ouvindo a música que tocava em algum lugar e chegava até nós.
De repente ele sorriu, levantou-se, roubou uma linda rosa e me deu como prova de nosso amor. Recebi, senti o perfume doce da flor e nunca mais esqueci o lindo gesto de amor!
Aquela rosa foi guardada por muitos anos, desbotou perdeu a cor, e seu perfume tristemente acabou.
Hoje nem a rosa nem o nosso amor!
O que me resta são as lembranças cravadas no canto mais profundo do meu coração, e o perfume que ficou espalhado no tempo e no espaço da praça em que fazíamos juras de amor!
A lua que brilhava no céu perdeu o brilho, e as estrelas levaram com elas aquele que em toda a minha vida eu amei!

OS GIRASSÓIS

Gracinda Calado


A grande sabedoria de Deus está na natureza, aos nossos olhos.
Numa flor que nasce e cresce, no fruto que amadurece,
No sol que todos os dias derrama sua luz fecunda sobre a terra;
À tardinha se esconde e morre.
Quem já viu um girassol esteve frente a frente com uma das mais perfeitas criações da natureza.
Sua beleza inconfundível abre-se como um chapéu na direção do sol, reverenciando a luz que emana de sua grandeza.
À noite fecha-se para dormir enquanto as estrelas dormem e o sol não vem.
Nas primeiras horas da manhã, inclina-se a majestosa flor para receber os primeiros raios solares e vivificar sua corola amarela, brilhante, majestosa, elegante e cheia de charme.
O girassol é uma dádiva do céu!
Mistério da natureza sem igual.
O girassol acompanha a luz solar, além de se abrir para as abelhas sugarem o mel e os jardins enfeitar!
Quando o sol se esconde, o girassol fica triste e morre pra nascer no outro dia ao amanhecer, acompanhando o ritual do sol. Que lindo é o girassol!



sábado, 25 de fevereiro de 2012

FIM DE TARDE

Gracinda Calado
Fim de tarde no horizonte,
O sol despede-se do dia,
Cobrindo todos os montes.
O mar cintila como prata
Como contos de sereias,
Invadindo toda a areia!


Últimos raios quase mortos,
Cobrem toda a serrania,
Na hora triste da Ave-Maria.
No fundo azul do mar
Ondas brincam num balé,
Parecem que vão voar!


Fim de tarde na minha alma,
O céu cobre-se de vermelho,
O mar parece um grande espelho.
Lágrimas rolam no meu rosto,
De saudade e de incerteza,
Enchem meu peito de tristeza!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

SOLIDÃO DO INVERNO

Gracinda Calado

Do fundo do baú fui buscar as lembranças da minha infância, na cidade de Baturité no recôncavo do Maciço, onde o verde é mais verde que em todos os lugares.
Quando era dia de chuva saíamos a tomar banho nas adoráveis biqueiras e ‘jacarés’, deslizar pelas gramas do jardim, pegar frutas no pé e correr nas alamedas do sitio.
A chuva não nos dava trégua e aproveitávamos para nos deixar molhar e ensopar pelas águas doces das chuvas cristalinas até cansar!
Meus irmãos, Tito, João, Miguel e Cesar, comandavam um batalhão de amigos e combinavam pescaria no rio que passava ao fundo do sitio, entre árvores frutíferas e raízes que se mostravam nas margens descobertas. A pescaria demorava entre brincadeiras e mergulhos, pulos e cambalhotas!
O tempo passou e as brincadeiras foram tomando ar de cuidados e quando as chuvas chegavam ficávamos em casa olhando pelas janelas e contando o tempo para que ela passasse. Enquanto isso não acontecia, fazíamos os deveres de casa, inventávamos outras brincadeiras até a chuva passar.
Tudo era brincadeira, na infância, porém na adolescência os garotos gostavam de jogar futebol, formavam times e arrastavam muitos amigos e conhecidos para o enfrentamento das partidas.
A tarefa das mulheres era a torcida!
Hoje quando sinto o dia frio e a chuva caindo, meu coração fica quieto, fico calada, lembrando-me dos meus irmãos correndo, brincando, gritando, criando brincadeiras, parece que distingo a voz de cada um.
Sinto saudades deles, de suas peraltices, dos carões de meu pai chamando todos para dentro de casa enquanto a chuva ainda caia lá fora!
Nos córregos e coxias das calçadas a água se escoava em grande volume e nós brincávamos de sapato e meias andando sobre as águas naquela farra toda sem preocupação de adoecer.
Lembro-me que os dias eram cinzentos e nós nem notávamos. O cheiro da chuva estava impregnado em nosso olfato, e o gosto da água em nossa boca, enquanto isso o corpo todo molhado nem sentíamos o frio da temperatura baixa.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

QUARTA FEIRA DE CINZAS


(Gracinda Calado)

E lá ficou meu coração
Nos salões da minha vida!
Lá ficou meu olhar de jovem
Intenso, bonito, juvenil.
O cheiro de lança perfume no ar,
Os salões cheios de serpentinas,
Confetes, lantejoulas, purpurinas,
Um coração feliz na noite de carnaval.
A madrugada chega de mansinho
E os apaixonados bem juntinhos,
Abraçam-se cheios de mistérios;
A noite leva com ela toda a alegria...
O folião sonhando acorda na rua,
Não vê que a noite se foi e o sol saiu.
A quarta-feira malvada,ingrata,
Arrasa corações, arrasta solidões.
Quarta que chega recolhendo restos
De nós dois, de foliões, de ilusões...
Quarta das saudades e dos cacos,
Dos sonhos das manhãs de fevereiro.
Na rua alguém chora a noite que sumiu
Ligeira, quente abrasadora, mágica,
Sensual, fagueira; chora o amor que partiu,
E agora até outro carnaval, adeus!